
A mesa da hotelaria da Associação Comercial e Industrial do Porto Santo (ACIPS) reclama a criação de um estatuto próprio de “lay-off” para a ilha, para fazer face às dificuldades impostas por uma sazonalidade que teima em ser esbatida.
Quando uma empresa, em dificuldades, requere a utilização do lay-off - prevista na lei -, a actividade laboral é suspensa ou reduzida ao longo de um ano. O trabalhador passa a receber apenas dois terços do salário mínimo, assegurado em 70 por cento pela Segurança Social, e pela entidade patronal, responsável pelo pagamento do valor restante. Ora, o que se pretende no Porto Santo é um estatuto definitivo que reconheça a sazonalidade da ilha, sendo que durante sete meses, os empresários suportavam 20 ou 30 por cento dos custos com o pessoal, e o Estado pagaria o restante, permitindo que eles estivessem ou em formação activa no local de trabalho ou então três ou quatro meses em casa. «Seria uma boa solução», garante António Castro, presidente da ACIPS, que sublinha que a reivindicação não é nova.
«Há três anos a esta parte, pedimos uma reunião à sra. secretária do Turismo para apresentar um Observatório de Turismo. Ela não nos pôde atender devido à sua agenda e mandou-nos para a Direcção Regional de Turismo. Acontece que, até hoje, nunca fomos auscultados. No dia em que se lembrarem que existe em Porto Santo uma associação de comércio e indústria que tem uma mesa de turismo, nessa altura, vamos lhes mostrar quais são as nossas preocupações e soluções. O lay-off era uma das recomendações do Observatório», explicou ao JM António Castro, depois de uma reunião que juntou, ontem, a mesa da hotelaria da ACIPS com a direcção da Associação e a que o JM assistiu.Segurança devia ser
slogan para Porto Santo
A opinião do presidente da ACIPS é partilhada pelo membros da mesa da hotelaria, que também entendem que não é possível uma pessoa pagar, no Inverno, 60 euros por um quarto e gastar 120 numa viagem para a ilha. «É mais barato voar para fora de Portugal do que cá para dentro», lamenta Marco Ferreira, vice-presidente da mesa, que diz também não compreender o que se passa em relação à easyJet. «Só mesmo em Portugal é que as “low coast” aterram nos aeroportos principais e os regulares nos secundários. A easyJet tinha que parar no Porto Santo que é o aeroporto secundário, mas isso ninguém põe em questão. Mas também, em Lisboa, a easyJet é que pára na pista principal e quem vem do Funchal e dos Açores na TAP pára no terminal 2. Somos portugueses de segunda», lamenta.
António Castro reforça a ideia e diz que «não faz sentido que se pague 140 euros num voo de 15 minutos.
Mais, Marco Ferreira fala em outras incongruências em relação a tudo isto. «Os operadores, que tentam ganhar alguma coisa com o verão, tiveram que pagar os charters à cabeça e agora estão a ser combatidos pela TAP, que aumentou os voos para o Porto Santo e pode perder milhões porque o Estado há-de sempre perdoar-lhes as dívidas. Isto é uma estupidez», acusa. «E porque é que, de uma vez por todas, os contribuintes portugueses, que pagam à TAP para voar, não têm voos internos mais baratos? Isto ia despoletar o mercado interno. Se custasse 60 euros para ir entre o Funchal e o Porto Santo, as pessoas se calhar vinham mais vezes», alertou ainda.
Mas, Marco Ferreira tem outras críticas e alerta que se está a matar o destino. «Continua-se a vender só sol e praia. Isso está mais do que esgotado. O Porto Santo tem uma coisa que os outros não, que é esta paz de espírito, clima calmo e amenosidade». Um aspecto que não tem sido aproveitado, como também entende António Castro. «É um slogan que devia aparecer nos nossos cartazes, num mundo em dificuldades financeiras e económicas e quiçá sociais como é o de hoje», continua o mesmo responsável.
Prejuízos de 600 mil euros em Maio
Numa altura e que estão confirmados os encerramentos do Praia Dourada e Pestana Porto Santo no Inverno, durante quatro meses, a verdade é que em relação a este último também já se fala na possibilidade de poder vir a abrir portas apenas durante três meses ao ano. Entretanto, outros começam a repensar a sua posição. Marco Ferreira, que é também director do Vila Baleira, diz mesmo que «ou são criados mecanismos para sobreviver no Inverno, ou então, possivelmente, o Hotel fecha mesmo».
Os primeiros cinco meses fora dramáticos para a hotelaria portosantense. Ainda ontem, por exemplo, o Lobo Marinho transportou 899 passageiros, o que é pouco para o mês de Agosto. «São números pequenos», diz António Castro.
Entretanto, os hotéis fazem contas à vida. «Um empregado de segunda custa à volta de 2 mil euros. Isto porque a mão-de-obra escasseia na ilha e o que tem vindo da Madeira não se adapta às necessidades, pelo que há que importá-la do continente. Tenho 256 quartos no hotel e mais 56 apartamentos. Logo preciso no mínimo de 140 empregados. Agora façam as contas. Dizem que o Porto Santo está caro, mas tenho dois meses para poder pagar 14», diz Marco Ferreira.
Paulo Carvão intervém: «Ou assumem que isto é sazonal e dão-nos mecanismos para os empresários suportarem o pessoal ou então vão ter de ir à origem, aos mercados emissores, e contratar os operadores e agentes de viagens para trazerem os aviões». No Porto Santo, há unidades hoteleiras que em Maio acumulavam 600 mil euros de prejuízo, só de operação, com custos de pessoal na ordem dos 150 a 160 mil euros e sem aumento de preços há quatro anos.
«Tem-se feito zero no mercado madeirense»
António Castro diz que a Associação de Promoção da Madeira deve preocupar-se mais com o Porto Santo e não põe de parte a criação de uma associação para promover a ilha junto da Madeira. Admite mesmo que o grupo Sousa, através do “Lobo Marinho” e investimentos hoteleiros, «é o único a fazer a promoção».
«Não estou a ser utópico, mas sim a transmitir a verdade. Se chegamos ao fim-do-ano e o gráfico nos diz que 80 por cento de entradas no Porto Santo são de madeirenses, a verdade é que é zero a promoção no mercado madeirense em relação ao destino. Entendemos que não há necessidade nem tem lógica haver duas associações de promoção. Agora, a existente tem de incluir, também, no seu âmbito promocional, comercial e empresarial a promoção do Porto Santo junto da Madeira. E só queremos isso».
Apesar da concorrência que provoca, António Castro entende a operação da empresa “Armas” e defende que «foi isso que nos faltou, a inteligência, na altura certa, para fazermos junto à Madeira, a promoção do Porto Santo como eles fazem de Canárias».
Fonte: JM
Quando uma empresa, em dificuldades, requere a utilização do lay-off - prevista na lei -, a actividade laboral é suspensa ou reduzida ao longo de um ano. O trabalhador passa a receber apenas dois terços do salário mínimo, assegurado em 70 por cento pela Segurança Social, e pela entidade patronal, responsável pelo pagamento do valor restante. Ora, o que se pretende no Porto Santo é um estatuto definitivo que reconheça a sazonalidade da ilha, sendo que durante sete meses, os empresários suportavam 20 ou 30 por cento dos custos com o pessoal, e o Estado pagaria o restante, permitindo que eles estivessem ou em formação activa no local de trabalho ou então três ou quatro meses em casa. «Seria uma boa solução», garante António Castro, presidente da ACIPS, que sublinha que a reivindicação não é nova.
«Há três anos a esta parte, pedimos uma reunião à sra. secretária do Turismo para apresentar um Observatório de Turismo. Ela não nos pôde atender devido à sua agenda e mandou-nos para a Direcção Regional de Turismo. Acontece que, até hoje, nunca fomos auscultados. No dia em que se lembrarem que existe em Porto Santo uma associação de comércio e indústria que tem uma mesa de turismo, nessa altura, vamos lhes mostrar quais são as nossas preocupações e soluções. O lay-off era uma das recomendações do Observatório», explicou ao JM António Castro, depois de uma reunião que juntou, ontem, a mesa da hotelaria da ACIPS com a direcção da Associação e a que o JM assistiu.Segurança devia ser
slogan para Porto Santo
A opinião do presidente da ACIPS é partilhada pelo membros da mesa da hotelaria, que também entendem que não é possível uma pessoa pagar, no Inverno, 60 euros por um quarto e gastar 120 numa viagem para a ilha. «É mais barato voar para fora de Portugal do que cá para dentro», lamenta Marco Ferreira, vice-presidente da mesa, que diz também não compreender o que se passa em relação à easyJet. «Só mesmo em Portugal é que as “low coast” aterram nos aeroportos principais e os regulares nos secundários. A easyJet tinha que parar no Porto Santo que é o aeroporto secundário, mas isso ninguém põe em questão. Mas também, em Lisboa, a easyJet é que pára na pista principal e quem vem do Funchal e dos Açores na TAP pára no terminal 2. Somos portugueses de segunda», lamenta.
António Castro reforça a ideia e diz que «não faz sentido que se pague 140 euros num voo de 15 minutos.
Mais, Marco Ferreira fala em outras incongruências em relação a tudo isto. «Os operadores, que tentam ganhar alguma coisa com o verão, tiveram que pagar os charters à cabeça e agora estão a ser combatidos pela TAP, que aumentou os voos para o Porto Santo e pode perder milhões porque o Estado há-de sempre perdoar-lhes as dívidas. Isto é uma estupidez», acusa. «E porque é que, de uma vez por todas, os contribuintes portugueses, que pagam à TAP para voar, não têm voos internos mais baratos? Isto ia despoletar o mercado interno. Se custasse 60 euros para ir entre o Funchal e o Porto Santo, as pessoas se calhar vinham mais vezes», alertou ainda.
Mas, Marco Ferreira tem outras críticas e alerta que se está a matar o destino. «Continua-se a vender só sol e praia. Isso está mais do que esgotado. O Porto Santo tem uma coisa que os outros não, que é esta paz de espírito, clima calmo e amenosidade». Um aspecto que não tem sido aproveitado, como também entende António Castro. «É um slogan que devia aparecer nos nossos cartazes, num mundo em dificuldades financeiras e económicas e quiçá sociais como é o de hoje», continua o mesmo responsável.
Prejuízos de 600 mil euros em Maio
Numa altura e que estão confirmados os encerramentos do Praia Dourada e Pestana Porto Santo no Inverno, durante quatro meses, a verdade é que em relação a este último também já se fala na possibilidade de poder vir a abrir portas apenas durante três meses ao ano. Entretanto, outros começam a repensar a sua posição. Marco Ferreira, que é também director do Vila Baleira, diz mesmo que «ou são criados mecanismos para sobreviver no Inverno, ou então, possivelmente, o Hotel fecha mesmo».
Os primeiros cinco meses fora dramáticos para a hotelaria portosantense. Ainda ontem, por exemplo, o Lobo Marinho transportou 899 passageiros, o que é pouco para o mês de Agosto. «São números pequenos», diz António Castro.
Entretanto, os hotéis fazem contas à vida. «Um empregado de segunda custa à volta de 2 mil euros. Isto porque a mão-de-obra escasseia na ilha e o que tem vindo da Madeira não se adapta às necessidades, pelo que há que importá-la do continente. Tenho 256 quartos no hotel e mais 56 apartamentos. Logo preciso no mínimo de 140 empregados. Agora façam as contas. Dizem que o Porto Santo está caro, mas tenho dois meses para poder pagar 14», diz Marco Ferreira.
Paulo Carvão intervém: «Ou assumem que isto é sazonal e dão-nos mecanismos para os empresários suportarem o pessoal ou então vão ter de ir à origem, aos mercados emissores, e contratar os operadores e agentes de viagens para trazerem os aviões». No Porto Santo, há unidades hoteleiras que em Maio acumulavam 600 mil euros de prejuízo, só de operação, com custos de pessoal na ordem dos 150 a 160 mil euros e sem aumento de preços há quatro anos.
«Tem-se feito zero no mercado madeirense»
António Castro diz que a Associação de Promoção da Madeira deve preocupar-se mais com o Porto Santo e não põe de parte a criação de uma associação para promover a ilha junto da Madeira. Admite mesmo que o grupo Sousa, através do “Lobo Marinho” e investimentos hoteleiros, «é o único a fazer a promoção».
«Não estou a ser utópico, mas sim a transmitir a verdade. Se chegamos ao fim-do-ano e o gráfico nos diz que 80 por cento de entradas no Porto Santo são de madeirenses, a verdade é que é zero a promoção no mercado madeirense em relação ao destino. Entendemos que não há necessidade nem tem lógica haver duas associações de promoção. Agora, a existente tem de incluir, também, no seu âmbito promocional, comercial e empresarial a promoção do Porto Santo junto da Madeira. E só queremos isso».
Apesar da concorrência que provoca, António Castro entende a operação da empresa “Armas” e defende que «foi isso que nos faltou, a inteligência, na altura certa, para fazermos junto à Madeira, a promoção do Porto Santo como eles fazem de Canárias».
Fonte: JM
















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