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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

43 MIL EMPREGADOS MADEIRENSES RECEBEM MENOS DE 600€


Envergonhados e deprimidos, têm um emprego e um ordenado, mas foram levados na euforia dos juros baratos. As prestações levam tudo e, em desespero, procuram a ajuda das instituições de solidariedade social. A Cáritas apoia na alimentação e no vestuário, há quem almoce na Associação Protectora dos Pobres. Até à CRIAMAR - uma associação que apoia crianças - chegam pedidos de ajuda.

"Quantos madeirenses estão nesta situação? Quantos são os novos pobres? Não sei precisar". José Manuel Barbeito, presidente da Cáritas, conhece, no entanto, o perfil das pessoas a quem as circunstâncias diminuíram os rendimentos. Foram os juros, a gasolina e a própria mudança dos escudos para os euros.

"São de classe média baixa, com rendimentos acima do ordenado mínimo (entre os 1500 e os 2000 por agregado) e com instrução. Compraram casa e foram apanhados pela subida da taxa de juro. Não são os que recebem o salário mínimo, esses aprenderam a viver com pouco". A euforia do consumo levou-os a contrair novos empréstimos e, enquanto puderam, usaram os cartões de crédito para resolver as despesas diárias.

"Até que tudo isto se tornou incomportável, até ao dia em que, sem saber o que fazer, enviaram um email tímido e envergonhado". A psicóloga - que está a fazer estágio na Cáritas - ajuda, a depressão quase sempre está associação a problemas financeiros, "a não ter comida para colocar em cima da mesa, a se sentir diminuído em termos sociais". A instituição encaminha-os para a Segurança Social. José Manuel Barbeito lembra que, nestas situações, é importante separar sempre o trigo do joio, os que precisam dos que se querem aproveitar. O apoio que a Cáritas dá é sempre encaminho após uma análise de técnicos, mas João Carlos Abreu, da CRIAMAR, lembra que quem se humilha e pede é porque precisa mesmo. "Há gente nova com muitas dificuldades , já não são só os idosos com pensões baixas. Até à CRIAMAR - que é uma instituição virada para o apoio de crianças - recebe pedidos de ajuda. Ainda outro dia, um casal novo confessou-me que já está preocupado com dinheiro que vai gastar em fraldas para a criança que ainda não nasceu".

Os salários são baixos - os dados do Instituto Nacional de Estatística referem que 43 mil madeirenses recebem menos de 600 euros por mês -, as taxas de juro subiram e o preço da gasolina disparou durante 2008. Quando nasce um filho ou surge um imprevisto, as contas baralham-se ainda mais. Além das taxas de juro e dos preços dos combustíveis, muitas famílias madeirenses sentem na pele a diminuição do investimento público. Várias empresas de construção civil fecharam e, nas que se mantêm no activo, houve um corte nas horas extraordinárias. Nos anos do 'boom' das obras públicas, fazer horas significava dobrar o ordenado. Hoje, as contas são outras, falta trabalho e ter emprego já é bom.

Desempregados e idosos

Os endividados engrossam o número de madeirenses que não consegue viver com os rendimentos de que dispõe, mas não são os únicos com dificuldades. Os nove mil desempregados constituem outro grupo de risco. Além do subsídio da Segurança Social ter um prazo de um ano e meio, é sempre menos do que o ordenado que recebiam. Se o azar bate à porta e leva o emprego ao marido e à mulher, a situação complica-se ainda mais.

Estas famílias também batem à porta das instituições, pedem socorro e, em caso de extrema necessidade, sentam-se à mesa da 'Sopa do Cardoso'. À Associação dos Pobres recorrem ainda os idosos, os que têm baixas reformas e pouco apoio familiar. Não ostentam as suas dificuldades, têm vergonha, escondem a falta de dinheiro e não gostam de falar do problema. "Há muita pobreza escondida e envergonhada. As pessoas tentam manter as aparências", sublinha João Carlos Abreu. O presidente das Cáritas tem a mesma opinião: a pobreza é muito envergonhada, "ninguém quer assumir que tem problemas de dinheiro, que falhou e perdeu prestígio por não ter meios para manter um certo nível, pertencer a uma certa classe social". Ambos mantêm a ideia de que os pobres de hoje cada vez menos obedecem à velha imagem tradicional de famílias numerosas em casas de degradadas ou a viver em bairros sociais. Esse quadro ainda não desapareceu na Madeira.Há quem a classifique como uma questão estrutural, ligada a comportamentos e a mentalidades herdadas, específicas de certas comunidades e famílias. E às quais se associam muitas vezes problemas de alcoolismo e toxicodependência. Os pobres de hoje já não são só estas pessoas, não estão apenas nos bairros sociais ou a viver do rendimento mínimo.

Fonte: DN

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