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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TAXISTAS E AITRAM EM PÉ DE GUERRA


A demarcação da AITRAM (Associação de Industriais de Táxi da Madeira) tem motivado severas críticas por parte dos associados que participaram na concentração realizada, na semana passada, na Praia Formosa. De ambas as partes, surgem acusações de ligação partidária, com o presidente da Associação, António Loreto, a conotar os organizadores da iniciativa com o Partido Comunista e a ser apontado por aqueles como "um infiltrado do PSD". O resultado é uma classe dividida por diferentes visões sobre a actuação dos profissionais de táxis em relação aos problemas que ameaçam a actividade, em particular o da concorrência desleal.

José Vieira, um dos motoristas de táxi que se manifestaram na passada terça-feira, refuta qualquer ligação da manifestação com partidos políticos e sublinha que não era objectivo dos associados que nela participaram "ir contra a associação". O que se passa, explica, é que "uma grande percentagem dos associados sentiram que a AITRAM não os estava a defender".

José Vieira lembra que entre os cerca de 900 taxistas da Madeira, sendo apenas 700 associados da AITRAM, cerca de 200 participaram na manifestação na Praia Formosa, quase o dobro, refere, do que aqueles que elegeram nas últimas eleições, em Setembro de 2008, a actual direcção da associação.

Se no primeiro mandato de António Loreto era esperado um certo clima de "paz, sossego e compreensão", conforme destaca José Vieira, agora, continua, é tempo de "alguma acção reivindicativa", perante a crise que afecta o sector e toda a economia nacional.

O motorista de táxi sublinha que os associados já pediram uma actuação mais forte da AITRAM, mas António Loreto "recusa-se, por inacção ou por omissão, a fazer seja lá o que for". "Acusa-nos de ser partidários, mas, no entanto, na direcção dele, há duas ou três pessoas que são realmente partidárias, mas do partido do poder, o que o torna um infiltrado de um partido numa associação que nos devia defender." José Vieira afirma, por isso, que desconhece se o presidente da AITRAM está a "trabalhar em prol do partido a que ele julga pertencer ou se, realmente, está a trabalhar em prol de uma agenda pessoal para ser alguma coisa nesse partido".

Quanto à ligação partidária referida dos organizadores da concentração referida por António Loreto, José Vieira sublinha que a única relação com um partido foi na cedência do material de som, através de relações de amizade de um filho dos associados, acusando o presidente da AITRAM de aproveitar-se desse facto em favor da sua própria "agenda" pessoal e partidária.

Contudo, António Loreto afirma ter sido convidado por "um grupinho" para uma reunião na sede do Partido Comunista, "por causa dos autocarros vermelhos e das paragens na Avenida Sá Carneiro e na Rotunda do Infante", sublinhando que a AITRAM é uma associação que representa o sector de táxi da Madeira, "não entra em disputas", nem "tem qualquer cor política". Do "grupinho", afirma, fazem parte alguns dos associados que participaram na concentração. "A AITRAM vai negociar e entender com quem estiver no poder", disse. António Loreto referiu que a associação já realizou reuniões com a Câmara Municipal do Funchal e com a Secretaria dos Assuntos Sociais, estando a tratar dos assuntos "nos devidos lugares".

No entanto, alguns associados reivindicam mais. José Vieira refere que, além dos problemas que afectam a classe, os profissionais estão a ser alvo de uma ilegalidade por parte da Direcção Regional dos Transportes Terrestres. Em causa está a afixação de termo certo nas licenças, ao contrário do que diz a lei. Além disso, sublinha, esta é uma matéria da responsabilidade das autarquias. Sobre esta matéria, António Loreto afirma que a Direcção dos Transportes Terrestres adoptou esta medida para acompanhar os prazos de cinco anos dos alvarás, sublinhando que, brevemente, as autarquias irão assumir as suas responsabilidades, pelo que a situação deverá ser revista. Porém, as divergências na classe parecem estar bem longe do fim. Esta semana, um grupo de associados vai entregar um abaixo-assinado na AITRAM, com vista à convocação de uma assembleia geral, na qual deverá ser questionada a legitimidade de António Loreto enquanto presidente da associação. "Somos muitos e estamos decididos em continuar a nossa luta", garante José Vieira, segundo o qual os taxistas estão dispostos a "ir até às últimas consequências".
Fonte: DN

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