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quinta-feira, 2 de abril de 2009

CADASTRO BARRA EMPREGO


Dá o nome à reportagem mas resguarda o rosto. Bruno Rebelo foi condenado a uma pena de prisão de dez anos por tráfico de droga, na mediática operação 'Primorosa'. Recuperou a liberdade, ainda que condicional, mas tarda em arranjar emprego. Por isso, lamenta a "discriminação" que os condenados da justiça têm de enfrentar por parte dos empregadores para poderem regressar à vida activa. Depois da 'travessia no deserto', a vontade de apagar o erro esbarra com a pergunta fatal na lista de espera para o emprego: "Registo criminal?".

Saturado deste "tipo de justiça à portuguesa", Bruno também gostaria de ver "as entidades oficiais a apostarem efectivamente na chamada reabilitação e reinserção social de quem passa pela prisão." Afinal, diz, "só quem não tem espelho é que não erra" e, na prática, faltam as oportunidades. É aqui que a reabilitação falha. "Quem sai da cadeia e que se vê sem dinheiro, sem família e sem trabalho, qual é a primeira reacção?", questiona. No seu caso, valeu-lhe o facto de ter trabalhado antes da detenção, o que lhe permite agora viver com o subsídio de desemprego. Além desta prestação, conta com "o apoio extraordinário e imprescindível da família, essa sim a verdadeira 'psicóloga' das horas difíceis.".

Campanhas não resolvem

É uma série infindável de questões que este antigo recluso, também ex-proprietário de um bar, que já passou pelo Estabelecimento Prisional da Cancela - podendo lá voltar ao mínimo deslize - coloca, numa altura em que o Centro de Santiago-Unidade de Tratamento da Toxicodependência promove esta sexta-feira o I Encontro sobre o tema. Bruno Rebelo fica a saber do evento mas acha que esta e outras iniciativas do género "só servem para o governo gastar dinheiro." Na sua óptica, as campanhas e os debates até poderão ser úteis no sentido de facultar "um certo esclarecimento à população mas não resolvem por si só o problema da droga também na Madeira." Apesar de garantir que nunca consumiu e que se limitou ao tráfico, considera que a solução não está em medidas paliativas mas "na liberalização da droga como forma de acabar com toda a criminalidade" que lhe está associada. Também discorda da opção de o Governo Regional ter implantado no centro da droga - junto à Zona Velha da Cidade - um centro de tratamento de toxicodependentes.

Solteiro, Bruno Silva vendia a chamada droga pesada nesta cidade a miúdos e graúdos. São "mais os jovens que consomem e, para alimentar o vício, roubam tudo, até mesmo os portáteis e outros bens que não lhes pertencem." A polícia interceptou uma encomenda com uma dose 'respeitável' de heroína e cocaína, socorrendo-se "das escutas telefónicas", e tudo foi posto a descoberto. Conhecido no tráfico pela alcunha de 'Bin Laden', diz ter sido apanhado pelo método das escutas, o que lhe merece reparos críticos. "As escutas telefónicas deveriam ser válidas só em determinadas situações. Mas acho que se usa e abusa deste meio, porque assim é mais fácil prender as pessoas." E acrescenta: "Julgo que as entidades policiais deveriam trabalhar mais no terreno e apanhar os infractores no campo de trabalho e não atrás de escutas. " Por outro lado, Bruno Rebelo também reafirma aquilo que é já recorrente ouvir nas condenações de processos de estupefacientes: "Quem é condenado é a classe média/baixa. Aos 'barões' da droga nunca lhes acontece nada, no entanto os sinais de enriquecimento súbito estão à vista de todos." Instado a facultar nomes, responde: "Não tenho comentários a fazer.".

A experiência vivida na cadeia, no Caniço, não deixa saudades, porque "não é vida para ninguém." No entanto, deixa claro que foi "muito bem tratado por toda a gente" e que aprendeu tantas actividades, inclusive completou o Ensino Básico. Cá fora, vê passar ao lado as oportunidades de emprego.

Linha do tempo

2001
Bruno Rebelo é condenado por tráfico de estupefacientes (heroína e cocaína). É detido no Estabelecimento Prisional do Funchal.

2005
Após cumprir quatro anos de pena, o limite legal para estar em prisão preventiva, sai em liberdade e trabalha como técnico de limpeza na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

2007
Em meados deste ano, regressa à cadeia para dar continuidade ao cumprimento da pena.

2009
Por bom comportamento, sai em liberdade condicional. Mas falta-lhe ainda cumprir quatro anos de pena.

2009
Abril: vive do subsídio de desemprego e continua à procura de trabalho. As perspectivas não são positivas.

Dúvidas que ficam sempre sem resposta

-"Quantas pessoas andam envolvidas no tráfico de droga e não são investigadas?
-Por que é que os verdadeiros 'barões' da droga nunca chegam a ser presos?
-Como se fica rico de um dia para o outro, sem herdar qualquer patrmónio? Como é que uma pessoa abre hoje um talho, por exemplo, e amanhã compra barcos e mercedes?
-Por que razão a nossa justiça é tão lenta a despachar os processos, penalizando inclusivamente inocentes?
-Por que não liberalizar a droga para acabar com a criminalidade?
-Além da droga, será que alguém tem a coragem de investigar os corruptos, mesmo que sejam figuras conhecidas?".
Fonte: DN

1 comentários:

  1. estive preso 8 anos por trafico de droga alguem me sabera enformar como posso apagar o registo criminal para concorrer a segurança privada.
    tinha 16 anos quando fui detido e agora com 26 quero formalizar a minha vida se me poderem ajudar agradeço

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