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terça-feira, 5 de maio de 2009

PRONTOS PARA O QUE DER E VIER


Tentar a carreira militar, procurar um mestrado numa universidade conceituada, emigrar para Espanha ou Inglaterra ou até montar uma empresa. Os finalistas das licenciaturas da Universidade da Madeira estão prontos para tudo, dispostos a aproveitar todas as oportunidades. Antes, no entanto, é preciso acabar o ano e fazer as últimas cadeiras do semestre.

O maior medo é o desemprego, mas não para todos. Nuno Gomes, finalista de Economia, não está no rol, tem contrato apalavrado para trabalhar num banco e, além disso, ganhou o primeiro prémio dos jovens empreendedores. Nuno e outros dois alunos de Gestão apresentaram um projecto para utilizar a água corrente dos prédios para produzir energia. E agora querem ver se alguém compra a ideia. Para já, há uma viagem a Londres e à Universidade de Cambridge.

Apesar da promessa de emprego, o estudante de Economia não se vê a trabalhar o resto da vida num banco, quer fazer outras coisas e está disponível para aceitar oportunidades fora da Região e do País. Tal como Rui Castro que está acabar o curso de Ciências da Cultura.

"Não queria começar já a fazer um mestrado, vou procurar um estágio e já pensei em ir para Espanha". São ideias porque, de seguro, não tem nada, tal e qual como Sofia Aveiro, também finalista de Ciências da Cultura. "Vamos ver o que aparece". Do grupo, o único que tem uma ideia clara do que quer fazer é Nelson que não hesita: quer tentar a sorte na tropa. "Vou tentar a carreira militar, quero ficar por lá uns tempos, depois logo vejo". Ocupados com a apresentação de um trabalho, vários finalistas de Economia estão reunidos numa sala de estudo em torno dos computadores portáteis. Têm pouco tempo, é Manuel Cardoso quem dá voz às suas preocupações. "Depois de acabar o curso o objectivo é encontrar emprego aqui no mercado regional dentro da minha área".

À porta do elevador do átrio principal da Penteada, três finalistas do 1º ciclo de estudos de Engenharia Civil falam das suas preocupações para o futuro. É que eles não são bem finalistas, melhor com três anos de curso não são engenheiros, nem podem fazer exame de admissão à Ordem. De facto, explica João Nóbrega, a ideia é procurar um mestrado (que é integrado no curso) fora da Universidade da Madeira. Bom seria conseguir um mestrado no Instituto Superior Técnico, na Universidade Nova de Lisboa ou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Estas universidades garantem acesso directo à Ordem, adianta Sílvio Vieira, continuar na Universidade da Madeira não é boa política. O curso ainda está em formação e os alunos têm projectos, querem uma formação de qualidade. É que, refere Emanuel Alves, também estudante do curso de Engenharia Civil, as oportunidades de emprego podem não estar na Região. "Quem sabe se não vou trabalhar para Angola".

Enquanto os estudantes dão voltas à cabeça e dizem-se dispostos a sair da Região e do País, os responsáveis pela Universidade da Madeira lembram que a mobilidade é um dos factores determinantes para o emprego. Carlos Lencastre, do Gabinete de Projectos da UMa, refere que a instituição tem vários projectos que ligam os estudantes ao mercado de trabalho. A começar por um clube de emprego, estrutura que até há pouco dava pelo nome de unidade de inserção na vida activa.

Protocolos com empresas

Além deste clube de emprego, a Universidade da Madeira tem acordos para estágios com a PT, o grupo Pestana, o Banif, a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira e uma variedade de protocolos com pequenas empresas. Segundo o responsável pelo Gabinete de Projectos, a UMa é sócia do CIEM, que é uma incubadora de empresas na área das tecnologias. O que pode ser uma oportunidade para os alunos mais empreendedores.

A Universidade da Madeira tem procurado promover a mobilidade dos alunos, o tal factor diferenciador num mundo globalizado. Carlos Lencastre refere a propósito vários programas de estudos e estágios em cooperação com outras universidades. A UMa tem acordo com a Universidade da Califórnia e neste momento está a preparar uma cooperação intercontinental que inclui o Canadá, a Itália e o Reino Unido. Os alunos que têm tirado maior proveito da cooperação são os de Economia e Gestão, embora Carlos Lencastre refira que, nos últimos tempos, tem aumentado a procura de estudantes de outras áreas. "Há cada vez mais a consciência de que as oportunidades não se resumem ao mercado regional, é preciso estar preparado para a mobilidade.
Fonte: DN

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