Num mundo em constante mudança, novos desafios profissionais se colocarão nas próximas décadas.
Os avanços na ciência e tecnologia, que já abriram novas portas no final do século XX, irão ganhar ainda um maior espaço na sociedade do futuro, que se quer especializada, mas também com capacidade de lidar com as diferentes disciplinas.
O estudo 'The shape of jobs to come' ('Os tipos de trabalhos que virão'), realizado pela consultoria de tendências britânica FastFuture enumera algumas das profissões que surgirão no futuro e outras que se manterão, fazendo uma análise de previsão até o ano 2030.
Para chegar à lista de 107 profissões que estarão no top nas próximas duas décadas, a empresa ouviu 486 especialistas de 58 países, de cinco continentes.
Foram tidos em conta factores económicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais e científicos, dentro dos quais pesaram sobretudo as mudanças climáticas, com consequências para a escassez de água e alimentos e no envelhecimento da população, o que irá trazer novas exigências na área das ciências médicas. Não é por acaso que no top 10 das profissões mais importantes estejam não só os geriatras, mas também os cirurgiões para o aumento da memória.
Uma das áreas que poderá dar um maior contributo nas profissões em alta no futuro é a das engenharias. Contudo, Nuno Nunes, do Centro de Ciências Exactas e da Engenharia, e presidente do Instituto de Tecnologias Interactivas, considera que mais importante do que a especialização numa determinada vertente está a formação de base.
O docente sublinha que mesmo nas engenharias não há hoje garantia de emprego, embora algumas vertentes, como a de informática, que já mais procura, mas continua a oferecer algumas saídas, ou a da energia possam oferecer maiores probabilidades de entrada no mercado de trabalho.
Nuno Nunes salienta que, com excepção da medicina, e também apenas por mais alguns anos, "hoje em dia não há garantia de empregabilidade em nenhuma área". Considera, por isso, "um erro" que os jovens escolham um curso tendo por base o que oferece mais hipóteses de trabalho. "Quando a pessoa toma uma decisão aos 18 anos quanto ao curso que vai escolher tem que pensar em 50 anos de carreira profissional e não no que vai fazer nos próximos cinco anos e no que o mercado está a dizer neste momento", salientou, acrescentando que muitas das desilusões dos alunos estão relacionadas com escolhas com vista a uma perspectiva de trabalho que acabam por sair frustradas. Muitas vezes porque também a formação não é aquela a que correponde as suas aptidões.
Mais do que as outras áreas, o docente considera que a formação de engenheiro "é muito abrangente e muito sólida do ponto de vista científico". "Ensina muito mais a pensar do que uma área de especialidade em particular", disse, o que será fundamental para um futuro profissional. "Muitas vezes as pessoas contratam um engenheiro para fazer gestão ou para fazer outro tipo de actividades", salientou. Isto porque foi "uma das poucas formações que resistiram a uma banalização e a um nivelamento por baixo no ensino superior". Um facto que é reconhecido por parte dos empregadores.
Nesse sentido, mais do que a área em que recebeu formação, Nuno Nunes acredita que o futuro será daqueles que mostrarem mais competências e capacidades de adaptação. "Cada vez mais os empregadores procuram pessoas inteligentes, com capacidade de raciocínio, com autonomia, com boa capacidade de expressão escrita e oral. São estas competências que as pessoas procuram hoje em dia no mercado de trabalho."
Assim, o docente salienta que mais do que as áreas que dominam, os jovens devem apostar nasquelas em que não são tão bons, de modo a terem uma formação o mais abrangente possível. "Um brilhante artista tem sempre lugar", sublinhou, adiantando que têm sido admitidos para os mestrados na área de engenharias alunos que vêm das artes, design, psicologia e outras. "A formação de base é completamente irrelevante, desde que a pessoa seja bem formada, saiba pensar, o resto faz-se e, isso é o futuro. O futuro é muito mais formações interdisciplinares, em que o primeiro grau que a pessoa tem não é muito relevante, desde que seja uma boa formação."
Top Profissões 2011 - Ranking Career Cast
1 - Engenheiro de software
2 -Matemático
3 -Atuário
4 -Estatístico
5 -Analista de sistemas
6 -Meteorologista
7 -Biólogo
8 -Historiador
9 -Audiologista
10 -Odontologista
Profissões que virão até 2030 - Estudo FastFuture
1- Polícia do clima: Numa altura de grandes mudanças climática, as acções de um país podem ter impacto no clima de outro, pelo que serão necessários profissionais que salvaguardem internacionalmente a quantidade de emissões de carvão lançada na atmosfera.
2- Fabricantes de partes do corpo: Com o desenvolvimento da medicina regenerativa, serão necessários profissionais que além das qualificações médicas tenham conhecimentos de robótica e de engenharia.
3- Nanomédicos: O desenvolvimento de artefactos de nível sub-atómico com os avanços na
nanotecnologia permitirão uma medicina muito mais personalizada, devendo os medicamentos ser administrados no local exacto onde a doença se desenvolveu.
4- Farmagranjeiros: Trata-se de uma profissão que envolve conhecimentos farmacêuticos que permitam modificar geneticamente as plantas, de forma que possa ser produzida uma quantidade maior de alimentos, com um maior potencial protéico e terapêutico.
5- Geriatras: São profissionais que já existem, mas que serão cada vez mais necessários no futuro para o atendimento de pacientes da terceira idade e prolongamento da vida activa.
6- Cirurgiões para o aumento da memória: No futuro, será possível a implantação de um chip que funcione como um disco rígido para a mente, onde serão armazenados factos que o ser humano não é capaz de se lembrar.
7- Especialista em ética científica: O desenvolviento da tecnologia e da ciência trará novas questões sobre ética, devendo existir pessoas que se dediquem a este tipo de situações.
8- Especialista em reversão de mudanças climáticas: As mudanças climáticas obrigarão à existência de profissionais capazes de reverter os efeitos devastadores do fenómeno.
9- Destruidor de dados pessoais: Dada à quantidade de dados e tendo em conta a segurança, haverá especialistas que se dedicarão a pagar a informação de forma permanente de modo a não ser alvo de piratas informáticos.
10-Organizadores de vidas eletrónicas: A quantidade de informações disponíveis será tão grande que serão necessários profissionais especializados em organizar a vida eletrónica dos indivíduos. Entre as tarefas estarão ler e arquivar correspondência eletrónica e organizá-la de forma coerente.
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